sábado, 21 de agosto de 2010

Bébés – Alerta – Asfixia posicional

No Quebec, província do Canada, aconteceu a morte de vários bébés assentados em cadeirinhas utilizadas para os acomodar nos automóveis, em pouco espaço de tempo. Como inicialmente tal acontecia quando estavam em viagem com os pais, havia múltiplas hipóteses para tais fatalidades. Sucedeu porém, a morte de mais dois bébés que os pais os deixaram a dormir nas referidas cadeiras, quando chegaram a casa.
Assim, ontem fomos alertados num noticiário da televisão para a forte possibilidade de se tratar de asfixia posicional, mais provável em bébés abaixo de quatro meses de idade. O médico entrevistado explicou que os bébés de menos de quatro meses a dormirem longo tempo na posição de sentados, podem em certos casos não suportarem mais o peso da cabeça. O pescoço comprimido com o peso, pode levar à asfixia das crianças. Assim, aconselham a seguir o estado dos bébés quando a dormirem ao fim de algum tempo nessa posição.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Fados

Um filme dedicado ao fado que ao fim de algum tempo ainda continua a dar a volta ao mundo, mesmo depois de todas a querelas que criou dentro do nosso torrão Natal. Apresentado de uma forma bem diferente do que estamos habituados, um autêntico puzzle de imagens acompanhado de dança, está a levar o nome do nosso país bem longe pela mão de um espanhol: Carlos Saura.
Esperemos que não seja preciso nenhum estrangeiro a apresentar de forma diferente a interpretação do nosso Hino Nacional, como acontece em tantos outros países pois 1890 já vai longe. Talvez viesse a ser cantarolado por estrangeiros e o nosso país iria sendo lembrado.






terça-feira, 17 de agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Festival Internacional Japonês

O Festival Internacional Japonês, muito dentro da linha dos festivais tradicinais desse país, teve lugar no Velho Porto de Montreal e trouxe até nós a cultura do país do sol nascente. Este festival apresentou doze actuações em palco, sete tipos de artes marciais diferentes em ginásio aberto e jogos de origem japonesa para divertir, tudo em oito horas. No campo gastronómico, foi excelente para quem gosta de conhecer a cozinha desse país.

Aconteceu porém que estava um dia de muito calor com muita humidade. Muita gente e falta de espaço, o que não é habitual por estes lados. Para evitar os encontrões, cedo me retirei.

Chamou-me especialmente a atenção, o número elevado de crianças orientais adotadas por gentes desta terra, a forma como as pessoas do Quebec vivem esta cultura, assim como a chamada miscigenação americana bem patente, que vai de norte a sul deste continente. Assim, um grande número dos intervenientes eram originários desta Terra que estão absolutamente integrados nesse modo de vida.

Aqui deixo um slide do que vi.




Andava-se melhor no aprazível picadeiro do Velho Porto situado no lado exterior do festival, do qual ainda se pode ver algumas tendas.

domingo, 15 de agosto de 2010

Hoje fomos ao milho.

É verdade. Por aqui também vamos de vez em quando à apanha do milho.


Como não podia deixar de ser, porque não irmos também à desfolhada?


Olha... este milho de duas côres cozidinho... vai ser uma delícia.



Pois é... também já nos habituámos a comer milho. Trata-se de um milho doce e por isso com um sabor diferente àquele que no meu tempo estávamos habituados a dar às galinhas. Agora que os homens já não cantam tanto, é que nos dão milho.

Joanna Comtois


Foto do " le journal de québec" de quinze do mês corrente.

Joanna Comtois, é uma jovem de treze anos que sofreu de um cancro à idade de oito anos. Curada, veio a ter uma recaída ao doze anos e neste momento foi informada que só o aparecimento de um novo medicamento ou tratamento, a pode salvar.

Uma jovem extraordinária que nunca deixou de lutar, criou uma fundação chamada: Esperança. Muito calma, muito amável e sempre com um sorriso nos lábios, é no entanto uma mulher de armas pois com um desprendimento total da vida que tanto ama, está sempre a falar sobre os miúdos que vê doentes e tanto gostaria de poder ajudar. Como se tudo o que já faz não lhe bastasse, não sendo capaz de ficar só por aí, Joanna interpretou várias canções num restaurante de Blainville e dedica-se à criação de moda com o fim de criar fundos para a sua fundação. Alimenta o sonho de um dia ser desenhadora de moda.

Assim, ela mesmo apresentou em plena passarela no Festival Internacional de Moda e Desenho de Montreal o seu próprio vestido, que pelo desenho e côres foi um sucesso. Não tendo estado presente ao seu desfile, já a vi vestida com a sua criação numa entrevista que deu à TVA. Admirou-me a forma como desenhando um vestido do tipo convencional moderno, sem mangas mas com punhos, caneleiras na vez de meias e juntando-lhe um colar em tecido que se pode transformar em carapuço assim como um cinto, tudo com côres que jogam muito bem, conseguiu dar uma vida extraordinária à sua obra.

A sua energia e capacidade de empreendimento, levou a que já há algum tempo tenha sido condecorada pelo governo Federal deste país.


Link do artigo "le journal de québec", de onde tirei a fotografia acima:

http://lejournaldequebec.canoe.ca/journaldequebec/actualites/quebec/archives/2010/08/20100805-214700.html

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Festival de moda e desenho de Montreal

Festival de mode & design de Montreal

Montréal Fashion and Design Festival


Aproveitei para ver outro desfile de moda noturno que me chamou a atenção por pertencer à boutique StyleXchange. Os estilos que nos apresentou eram nítidamente citadinos. Tratou-se de um desfile pleno de energia, ao som do conjunto "Creature", tudo muito bem sincronizado. Os sapatos foram cedidos pela boutique ALDO.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ladrão

Depois de vir ao tomateiro comer três tomates que tinhamos plantado este ano, este ladrão foi para cima da árvore olhar para mim com olhinhos de inocente. Desenvergonhado... além de ladrão, é mesmo muito giro.


terça-feira, 10 de agosto de 2010

Festival de moda e desenho de Montreal

Festival de mode & design de Montreal

Montréal Fashion and Design Festival



Na minha ida para ver o desfile de moda que teve lugar na noite de sexta-feira passada, ao passar por um parque muito próximo da baixa desta cidade, dei com um grupo de jovens que representavam em inglês a conhecida peça de William Shakespeare, Romeu e Julieta. Representado de uma forma inédita que até me fez esquecer do tempo, mostrando poder de criação quando os orçamentos são muito baixos, tive de partir à pressa quando me lembrei que já faltava pouco para o desfile de moda. Todos os bens recolhidos foram doados à banca alimentar local. Montreal continua a surpreender-me.



O desfile da marca FINN a que assisti, é obra dos grafistas de Montreal Raffi e Vikcy Kelechian. Estes dois irmãos, mulher e homem, cuja colecção é inspirada em movimentos culturais, dedica-se essencialmente à juventude. Aqui ficam enxertos do desfile nocturno da FINN, tendo os seus manequins sido calçados pela boutique ALDO.

Foi uma noite movimentada para quem queria fotografar os acontecimentos, porque o elevado número de projectores de várias cores, alguns em movimento constante, levou a que se fizesse autêntico tiro ao alvo com a objetiva para obter a fotografia desejada, dentro do possível.

Aqui fica o resultado de uma parte dessa noite.



Coup Martin Matte

Decorre hoje a Coup de ténis Martin Matte, artista de riso muito conhecido, cujos os lucros se destinam à sua fundação. Alertado pelo que sucedeu com o irmão que ficou com problemas derivado a um traumatismo craniano, fatalidade que leva um grande número de pessoas a ficarem sem teto para viverem, criou uma fundação para socorrer pessoas em situações idênticas na província do Quebec.

A fundação tem uma casa que se destina a albergar pessoas sem casa derivado a uma fatalidade no género.

O campeonato de ténis está a decorrer hoje no estádio Uniprix, mais conhecido por estádio Jarry, aonde se disputam os internacionais de ténis de Montreal, com a finalidade de angariar fundos para a fundação de seu nome.

Mais uma pessoa que se lembrou de dar ao seguinte como se diz por estes lados e que pensa que se deve fazer um esforço para tal. Assim, como esta obra é "pesada", vai fazendo vários esforços dos diversos tipos durante todo o ano.

Festival de moda e desenho de Montreal

Festival de mode & design de Montreal

Montréal Fashion and Design Festival



E assim termino a apresentação fotográfica dos quarenta e cinco minutos que durou a primeira passagem de modelos a que assisti. Se bem que este último capítulo nos apresente vários vestidos de uma peça, de uma maneira geral foi visto muitos modelos de duas peças; próprio da democratização da moda aonde hoje o grande cliente é o público em geral. Em relação aos homens, desde a roupa desportiva ao colete assim como com fato e gravata, apresenta a particularidade de serem todos nas tonalidades escuras de várias côres, dando assim a oportunidade de utilizações múltiplas. Votos que tenham admirado e gostado.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Festival de moda e desenho de Montreal

Festival de mode & design de Montreal

Montréal Fashion and Design Festival


No passado era uma percentagem elevadíssima do sexo feminino que se dedicava à moda tendo uns tantos homens, costureiros, na vanguarda. Hoje se bem que tudo pareça na mesma, o facto é que há um número elevado de homens nesta arte mas já com algumas mulheres na vanguarda. Para aqueles que a apreciam, aqui fica mais um slide.


Festival de moda e desenho de Montreal

Festival de mode & design de Montreal

Montréal Fashion and Design Festival



Montreal é uma das cidades que avançou imenso no campo da moda na última década. Para tal muito lhe serviu a criação de desenhadores das mais diversas formas, muito em especial, através de colégios como: o Colégio LaSalle, Marie-Victorin, Academia das Artes e do Desenho, etc. Assim hoje, há no Quebec um número excepcional de desenhadores de elevado gabarito. Pode-se dizer que no campo da moda, esta cidade tornou-se num eixo incontornável entre a europa e o continente americano.

No âmbito do Festival de Moda e Desenho de Montreal que se realiza anualmente, tiveram lugar nos últimos quatro dias cerca de sessenta desfiles de moda, todos em passarelas ao ar livre.

Um dos desfiles de moda, teve lugar na passarela da explanada da Place Ville Marie, que pôs em evidência diferentes artigos da Reitmans, RW & CO, Smart Set e Le Château, aliás fácil de notar no quadro electrónico que aproveitei para falar por mim. De notar que muitos destes artigos são obra de desenhadores do Québec.

Muito concorrido, tudo leva a crer que a realidade ultrapassou as previsões da vinda de quinhentos mil turistas para este evento.

Deixo um primeiro slide respeitante a este desfile para que façam boas escolhas.


domingo, 8 de agosto de 2010

Problemas de familia

Desde o último artigo, tiveram lugar dois festivais no fim do mês passado a que não assisti. Trataram-se dos festivais "Gay" e "Hosheaga". Se o primeiro foi muito concorrido pelas suas côres, alegria e muitos turistas, o segundo trouxe a Montreal mais de sessenta conjuntos de música de alto nível, fora cantores e orquestas. Mais de cinquenta e três mil espectadores assistiram às diferentes atuações.

Este fim de semana decorreu o Festival da Moda e Desenho de Montreal, a que me referirei brevemente.

Está a decorrer neste momento exato, as vinte e quatro horas de patins sobre rodas alinhados. Como são todos muito rápidos (pois até lá andam atletas olímpicos de patinagem de velocidade), acharam por bem levá-los para as pistas utilizadas durante as provas de F1 ... e outras .

Entretanto aproveito para publicar abaixo a anedota de "Problemas de família", que nunca é demais recapitular pois é muito boa para fazer ginástica cerebral e cada vez está mais em dia.

- Dois homens, um Americano e um Indiano estão sentados num bar, a beber uns copos…

Um Indiano disse a um Americano: «Sabes, os meus pais querem-me obrigar a casar com uma miúda simpática que nunca vi na minha vida. Chama-se a isto um casamento arranjado… Eu não me quero casar com uma mulher que não amo. Disse isto abertamente e agora estou com uma carga de problemas de família que nem imaginas... »

O Americano vira-se para ele e diz: «Falando de casamentos de amor… deixa-me contar-te uma estória. Eu casei com uma viúva que eu amava profundamente e com quem namorei 3 anos. Passados uns anos, meu pai apaixonou-se pela minha entiada, passando o meu Pai a ser o meu genro e eu o sogro do meu Pai. Legalmente, a minha entiada é agora a minha Mãe e a minha mulher a minha avó. Os problemas continuaram a acumularem-se quando tive um filho. O meu filho é o irmão do meu Pai e por isso é tambem meu tio. A situaçao ainda se tornou mais complicada quando o meu Pai teve um filho. Agora, o filho do meu Pai, meu irmão, tambem é o meu neto. Em resumo, eu sou o meu próprio avô e o meu pròprio neto… E estavas tu a dizer que tinhas problemas de família...»

O Indiano desmaiou…

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Voo verdadeiramente livre.


Quando chegamos a Montreal, começamos a aperceber que as pessoas sendo aparentemente como nós, estávamos muito distantes na forma de ser.

Pelo contrário nos mais velhos, os hábitos, usos e costumes nos francófonos, na sua grande maioria, eram muito idênticos aos nossos.

Com o tempo fômo-nos apercebendo na imensa diferença de mentalidade que havia entre os mais velhos nessa época, aí para os seus sessenta e mais, com os mais novos até aos seus quarenta e portanto a rondarem a nossa idade. De vinte para baixo, notávamos que eram nítidamente o fruto de uma evolução da educação das pessoas compreendidas no leque do meio. A nossa mentalidade estava muito mais perto das pessoas de sessenta anos e mais.

Um dia a conversar com a minha mulher sobre acontecimentos do dia à dia, ela disse-me: "Olha, ainda havemos de ver uma vaca voar".

Os anos passaram e um dia de manhã abri muitos os olhos ao ouvir na televisão que uma vaca tinha caído num barco para os lados do Japão. Pelas notícias que se seguiram, fiquei a saber que se tratava de uma vaca que tinha caído de um avião que ia a passar e perante minha admiração, não fizeram nenhuma referência a mortos.

Corri para junto da minha mulher e disse-lhe logo que voar ainda não mas passear-se no espaço, já havia uma vaca como feliz contemplada.

Desta vez, sou eu, que sabendo da invenção de uma pessoa do Quebec, aproveitei para ver pessoas a voarem. Uma autêntica descoberta como a do ovo de Colombo, técnicamente muito simples mas que nunca ninguém tinha criado. É de facto um momento em que seres humanos sem estarem ligados a um objecto voador qualquer que ele seja, continuando sujeito à atração terrestre, a consegue superar.

Gostando de mostrar o que vejo, aqui fica o meu testemunho fotográfico num dia de núvens inconstantes para fazer fotografias.

Bixi

"Bixi" internacionaliza-se e ganha galões de transporte de aluguer colectivo a nível local.

A bicicleta "Bixi" concebida por Michel Dallaire e fabricada no Quebec, vai amanhã começar a rolar na cidade de Londres sobre o nome de "Barclays Cycle Hire".

Há serviços municipais de Montreal e outros serviços oficiais que utilizam bicicletas, como os polícias, paramédicos, fiscais de estacionamento de automóveis, etc.

A Bixi é um tipo de bicicleta que é alugada pela Cãmara de Montreal ao público e é muito utilisada pelos seus habitantes nas suas deslocações diárias.

Por sua vez, as empresas privadas podem obter chaves do tipo mestras para utilização pelo seu pessoal em serviço, ou oferecer-lhes um aluguer anual a preço compartecipado e portanto mais competitivo, para os seus afazeres.

Quatro empresas privadas acabam de dar galões de transporte de aluguer colectivo à Bixi, ao alugarem estações de serviço Bixi e respectivas chaves, para a frente dos seus edifícios.


Além de ser um meio de transporte que diminui as importações de um país em combustíveis e peças para autmóveis, amelhora a saúde pública e deminui as entradas nos hospitais assim como a importação de medicamentos, deminui o número de lugares ocupados nos transportes públicos, não produz gazes prejudiciais para o meio ambiente, torna-se muito prático para a mobilidade das pessoas, muito fácil de estacionar, pelo que começa a chamar a atenção das empresas privadas.

Vamos esperar para ver até onde a utilização da "Bixi" pode ser explorada.



Artigos relacionados:

Bixi 10.05.08 Ciclismo - Bixi

Bixi 10.05.23Ciclismo - Bixi 001



quarta-feira, 28 de julho de 2010

Corridas de barco "Dragão".

As corridas do "Dragão" vêm projectar uma realidade de Montreal multicultural, pois há uma diáspora chinesa um pouco acima de noventa mil pessoas.

Com um bairro Chinês mais conhecido internacionalmente por "Quartier chinois", muito comercial e visitado por cerca de três milhões de pessoas por ano, possuidor de uma dinâmica muito própria, são hoje uma realidade na economia de Montreal.

Uma das entradas no "Quartier Chinois".


No artigo do passado dia 25 escrevi que tinha um slide para publicar sobre as corridas dos referidos barcos, que se pode ver a seguir.

domingo, 25 de julho de 2010

Quatros festivais internacionais

Ontem, ao fim de quase duas semanas retido em casa, tomei a decisão de dar uma volta por Montreal pois só festivais a nível internacional, havia quatro. Montreal é uma bonita cidade, ruas paralelas, plena de jardins e de árvores mas tem certos problemas como tudo o que é grande. Dentro dos seus problemas encontra-se a busca de postos de trabalho para todos.
Assim, procura a cãmara desenvolver um grande número de eventos no verão e sempre que possível no inverno, acontecendo o mesmo em todo o Quebec. Traz muito turismo de todas as qualidades e alguns ficam de um evento para outro. Usufruindo os governos municipais de uma certa autonomia, podendo lançar certos impostos, indo buscar dinheiros ao Federal e Provincial de formas estipuladas com parâmetros muito bem definidos, permite-lhes exigir o que têm direito. Assim, os governos municipais lutam ao máximo por obterem fundos e postos de trabalho, com a finalidade de cobrirem as necessidades das suas terras e gentes.
Tendo passado a época de ouro da revolução industrial há muitos anos, conseguiram durante muito tempo manter fábricas necessitando de mão de obra intensiva, só que esse tempo passou há mais de uma década. Por sua vez o Quebec inteiro virou-se para a educação mas rápidamente se começou a ver pessoas com os mais variados cursos superiores a aceitarem os mais diversos trabalhos. Ver-se hoje um(a) diplomado(a) a trabalhar numa caixa de supermercado é banal, não falando dos seus imigrantes aonde ver-se um médico como motorista de táxi ou um advogado a trabalhar nas limpezas como aconteceu com um português e que hoje está bem na sua terra, não é caso raro. As pessoas para viverem, se não fôr exatamente o emprego que desejam, não dão as suas habilitações todas. A mentalidade destes lados é que uma pessoa sem trabalhar se não procura emprego ou não aceita o que lhe aparece, nem que seja até que encontre outro, não é digno da sociedade. Há-os mas esses vivem à parte da sociedade e muito mal vistos por ela. Qualquer que seja o trabalho, é digno e a pessoa logo que tenha uma chance, que o largue e siga a sua vida. É assim a vida. Entre outros casos, houve um actor, realizador e senarista, que ganhou o Festival Internacional de Cannes fora outros e que pelo meio dos festivais, enquanto não arranjava fundos para novos filmes foi fazendo taxi, como aqui se diz, limpezas e quando faleceu fazia videos de propaganda comercial, o que finalmente lhe deu dinheiro. Neste momento o ajudante de concierge* numa casa de terceiro andar, nada de especial, é um engenheiro em conceção mecânica. Numa grande empresa a nível internacional que não nomearei por motivos óbvios, tem neste momento um Doutor** universitário inglês a trabalhar como desenhador. Isto faz com que as pessoas se contactem de forma muito aberta, direta e em número muito elevado sem se conhecerem, se bem que no trabalho a luta seja feroz. É isto uma das mentalidades generalizadas por estes lados e que poucos que para cá vêm, falam.

Como por vezes o que se escreve não é o espelho real do que se vê, tomei a decisão de sempre que possível quando publico um artigo, fazê-lo com fotografias. Se disser que já vi pessoas a voarem como verão mais abaixo, é mesmo melhor acompanhar de uma fotografia. Assim, ontem, nos diferentes festivais, fiz trezentas e oitenta fotografias das quais apresentarei só algumas neste e nos próximos artigos.

Comecei por me deslocar primeiramente a um festival que alertou a minha curiosidade pois tratou-se de corridas de barcos "Dragão". Mesmo que não soubesse que se tratava de corridas de origem chinesa, ao chegar e ao ver um altar budista com budas a fazerem uma prece matinal, teria descoberto.
Foi pena que já não cheguei a tempo de os fotografar nas suas preces mas o altar ficou.

Quando ao tipo de corridas com embarcações com o nome de Dragão, saltou-me logo ao pensamento barcos muito coloridos com o seu grande dragão, com os seus remadores(as) num esforço bem visível pelos contornos dos músculos, as pernas nos seu movimentos sincronizados com os braços e o corpo, o movimento das suas cabeças, tudo isto ao som do batimento do timoneiro. As mãos crispadas nas pagaias, os traços do esforço e das dôres marcados nas caras, os lábios serrados contra os dentes como se os músculos estivessem a empurrar os dentes da frente para dentro, com uma determinação de dar tudo o que têm dentro do corpo e da alma mas aonde por vezes menos de um segundo determina o campeão. Tudo isto, diante da alegria ou tristeza da pessoa que vai ao leme em águas calmas, que suou para manter o barco na pista com as suas ordens à base de gritos constantes, fortes e curtos.
Com esta visão, fui até à bacia olímpica na ilha de Santa Helena, uma das várias ilhas que envolvem Montreal, e aonde tem lugar anualmente a F1. Vi muitos coloridos nos barcos com umas cabeças de dragões pequeninas e repectivas caudas, aonde certos barcos com desenhos laterais octogonais a lembrar os corpos dos dragões, os faziam sobressair da água como os chineses nos habituaram. Os barcos eram longos, estreitos mas sem a elegância dos "charutos", as tripulações eram oriundas dos vários lados do nosso planeta como a Inglaterra, França, Japão, China, EU, etc, e muito naturalmente do Canada e do Quebec. O ambiente que as próprias tripulações ajudaram a criar, deleitou-me. Por todos os lados se viam as tendas das equipas competidoras com as suas côres assim como nas roupas dos competidores. "Verdadeiros" paddocks da F1, aonde neste caso podíamos passear livremente.




O distender dos músculos no local antes de partir, dependendo da equipa, era divertido de se ver.





Além de equipas como as dos países já referidos, o que me surpreendeu foi ver equipas de terceira idade a competirem com os novatos. Praticam este desporto como manutenção física. Trata-se de uma modalidade que obriga a treino durante todo o ano e no Quebec é muito difícil de praticar de inverno, pois nessa época os treinos têm lugar em locais próprios e muitas vezes a sêco, o que obriga a muito querer, determinação e coragem. Algumas pessoas de idade respeitosa mostrando um bem estar e alegria estonteantes, uma ou outra ajudada a entrar no barco mas depois de assentadas... aqueles barcos andaram. Admirável. Se os adversário receberam grandes ovações, a terceira idade foi sempre a mais aplaudida.

Equipa da terceira idade pronta a sair para o local de partida.

Outra equipa da terceira idade a acabar de cortar a meta.


Falei com o atleta abaixo, vindo de Vermont-EU, uma boa meia hora. A um certo momento disse-me que no barco da sua equipa que ia partir nesse momento numa modalidade que não era a dele, ia uma senhora de oitenta anos. Não haja dúvida, ele ao pé dela é um novato pois só tem setenta e oito anos!

No fim das provas da manhã, fui até à bancada central assistir a um espetáculo que ia começar. A um dado momento do espetáculo, comecei a ver que várias embarcações se reuniam por trás do palco no meio do rio.

Neste momento, o conjunto ainda não devia ter-se apercebido do que se passava atrás.

Começaram a aproximar-se lentamente e num momento exato, todos levantaram as pagaias com um cravo côr de rosa nas mãos: sinal da luta contra o cancro. Foi o silêncio total com esta surpresa, o espetáculo parou. O barco da direita afastou-se dos outros, aproximou-se da costa, saíu uma terceira idade com um cravo na mão e foi entregá-lo a uma pessoa em cadeira de rodas. Silêncio total novamente, seguido de uma grande salva de palmas. Foram uns segundos muito profundos. É isto que noto por estas bandas, as pessoas guerreiam-se mas estão sempre perto dos outros. Dentro da forma de ver destas gentes, não se deve dar sem se fazer qualquer coisa que represente um esforço próprio. Assim a terceira idade correu para angariar fundos para a luta contra o cancro. Momentos inesquecíveis. De tal maneira fiquei, que até nem me lembrei de fotografar a entrega da rosa. Muita alegria, mas aqueles(as) terceiras idades estavam a pensar em quem sofre.

Depois fui até à zona dos comes, aonde não faltava comida chinesa ajudada a degirir com a actuação de mais um conjunto musical.

Aproveitei para ver distrações que me despertaram mais a atenção e das quais algumas se podem ver a seguir.

Em frente da estação CTV, Canadian Televison, que também estava presente, voltei muitos anos atrás. Até parecia que estava a ver uma miúda muito pequenina, que vivia ao fundo de uma rua perpendicular à minha, no bairro aonde eu vivia, rua A e que com um arco destes, muito mais alto do que ela, não parava de o fazer rodar o tempo que queria. Tudo me voltou à cabeça. Fiquei tempos a admirar a juventude de hoje. Muito parecida com a do nosso tempo, em muitas coisas.

Admirando sempre tudo o que diz respeito ao espaço, jamais me poderia passar despercebido pessoas a voarem, sem asas nem paraquedas. Isto não é brincadeira pois foi real, pelo que aqui fica uma fotografia abaixo. Futuramente voltarei a este assunto.

O mesmo farei com um festival que não vi, Heavy MTL, pois só faltou bater com os calcanhares no r... por motivos de "segurança” pessoal. Os excelentes festivais internacionais "Noites de África" e "Juste pour rire", este com o seu sempre agradável desfile de gémeos seguido do baile em que aos "Monsieurs" não era permitido negarem-se a dançar. Todos os espetáculo estiveram sempre super lotados.

Os dragões destes barcos já foram descansar mas a notória "amigável" velha rivalidade, continua.

Nada melhor para uma despedida que verdadeiros "Dragões".



Assim, umas centenas largas de pessoas tiveram trabalho só nas corridas de barcos do "Dragão", quer fôsse diretamente no evento, quer fôsse através de comerciantes que são um excelente motor de criação de empregos. No fim de tudo, é um dos objectivos mais importante.

Próximamente publicarei um slide com algumas fotografias das corridas de barcos "Dragão".

*Concierge – pessoa que faz um pouco de tudo para manter um edifício limpo e funcional. Quer seja limpesas, mudar parte da canalização e torneiras, reparar paredes, etc. Só não pode tocar na parte elétrica, pois se houver algum problema e o sistema eléctrico tiver sido tocado por alguém não credenciado, o seguro não paga. Gosto muito de saber e dar a conhecer estes pequenos nadas, porque nos ajuda a compreender o modo de vida das pessoas de uma região.

** Doutor – Curso completo da universidade ou médico. Neste caso, o primeiro.