segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Parabéns a você

Faz hoje anos que te vimos nascer. Tão pequenina, não paravas de chorar até que ao ver as tuas mãozinhas todas azuis de frio, meti os meus dedos nelas. Passaste a ser o bébé mais doce e mais calmo que jamais conheci.

Assim te mantiveste pela vida fora, sendo uma menina que jamais pedia o que quer que fôsse. Ainda hoje me lembro quando me pediste o teu primeiro bolo. Foi em frente à montra da Palmeira em Coimbra que me disseste: "A tia Belinha dá-me aquele bolo." – Comprei-to e foi uma alegria para mim, pois tinha descoberto o que te oferecer quando saísse-mos. Na saída seguinte, quando te disse que estava ali o bolo que a tia Belinha te costumava dar, disseste-me: "Não, não, não tenho fome". Sempre foste uma menina assim. Até nos custava ir ao café e estarmos assentados a beber o que nos apetecia contigo sem nada à tua frente, só porque o "buraquito estava fechado".
Cresceste e foste para a escola primária em Coimbra, aonde eras tida como o exemplo para com os teus colegas.
Depois viemos para o Canada, aonde rápidamente te adaptaste à lingua oficial pelo que fizeste dois anos num. Adaptando-te bem à música, fizeste parte das crianças que comandadas pela conhecida maestra Agnes Grossmann, tiveste a honra de tocar no palco da "Place des Arts". Na escola portuguesa foste admitida logo na quarta classe e aí acabaste o secundário em paralelo com os estudos oficiais desta terra. Ao chegares à sexta-classe na escola francesa, introduziram-te numa turma mista com os da quinta classe, o que choramingando dizias que te tirava a concentração. Transferi-te para a Academia Michele Provost, aonde rápidamente passaste a fazer parte do quadro de honra até ao fim do secundário. Foi neste período que foste convidada a fazer parte do "Forum por Jovens Canadianos" que decorreu no parlamento em Otawa.

Para tal, como aqui não se aceita ou dá nada sem esforço, tinhas que arranjar patrocinadores para tão "grande" esforço económico. De notar que um dos patroci-nadores foi o Consul de Portugal em Montreal a título pessoal, mas jamais ao nome do nosso país.
Nesse Forum, ainda muito menina tiveste a oportunidade de lidar de perto com depu-tados e ministros deste país, num ambiente fora de série.


Acabado o secundário feito em lígua francesa,


foste aceite pelo conceituado CEGEP Marianapolis em língua inglesa, aonde te mantiveste sempre no quadro principal. Tomou o Marianapolis a decisão de comunicar todos os anos a tua situação à tua antiga escola, Academia Michele Provost.

Assim, continuaste sempre a fazer parte do seu quadro de honra mesmo não sendo mais sua aluna. Sempre que lá ias fazer uma visita, até aqueles que não tinham sido teus professores, te queriam conhecer.

Passaste para a universidade pelo que tiveste que fazer o exame obrigratório de língua francesa, que já há dois anos não estudavas. Com os teus noventa e oite por cento numa língua tão difícil quanto a portuguesa, demonstraste a ti mesmo que eras capaz de remover mundos e marés para chegares aonde quizesses.
Admitida na Universidade de Concordia no Departamento de Engenharia Elétrica e Informática, foste passando todos os anos sem teres de deixar uma disciplina para trás, evitando-nos gastos extras. Foi por esta altura que começaste a prática do Karaté, a que tanto te dedicaste. Depois de teres derrotado na tua categoria os americanos, deslocaste-te a Boston por convite, para aí treinares com a seleção dos EU que ia aos campeonatos do mundo nesse ano, independente do cinturão que tinhas. Logo aí deixaste bem explícito que o karaté era um passa tempo, pois o teu curso estava em primeiro. Sempre a mesma.

Ainda te lembras desses tempos?



Foi em 2000 que sendo tu uma louquinha por Portugal, Coimbra e a AAC, aí passaste quatro meses aonde ficaste a conhecer melhor a tua terra Natal e sua língua. Poder-se-á dizer que difícilmente te ficou um canto a visitar.







Aos arredores, sempre que tiveste uma possibilidade, deste um saltinho como a Gois.


Foi um estudo teu sobre a forma de controlar informáticamente os comboios para evitar certos tipos de acidentes nas suas chegadas e partidas, que veio a ser exposto pela Universidade de Concordia ao público em Dorval. Muito bem aceite, foste entrevistada pela imprensa escrita e televisiva.

Cedo acabaste o bacharelado e tomaste a decisão de fazeres o mestrado.

Falei-te na possibilidade de o fazeres em Coimbra, nossa terra natal, pelo que contataste a universidade. Para minha tristeza, não tinham lugares. Tive muita pena. Entrada no mestrado na Universidade de Concórdia em Montreal, foram dias e noites de trabalho incansável, tendo eu chegado a ir-te buscar já noite dentro, algumas às duas da manhã, para não regressares sózinha. Jamais viraste a cara ao desafio. Foi ainda com vinte e quatro anos que te deslocaste a Bordéus para apresentares a tua primeira publicação científica no campo da informática, que nos deu uma grande alegria, podes crer. Ainda novita e aluna, entraste no mundo dos grandes.

Só uma pequena tristeza de que jamais te falei, a de chegares a terras francesas e não poderes dizer: venho de Coimbra, Portugal. O teu trabalho foi muito bem recebido. Os ingleses da Telecom presentes, até te falaram na possibilidade de uma parte do estudo vir a ser proposto para norma internacional.

Gostaste dessa terra e ainda hoje, sempre que podes, aí dás uma saltada.


Voltada ao Quebec, continuaste os teus estudos do mestrado que acabaste muito nova seguindo para o doutourado, o que nem chegaste a começar.

Na tua segunda publicação em Gatineau, foste cortejada por um professor dessa universidade mas logo contra atacada verbalmente pelos teus professores da Concórdia.

Na volta, já em Montreal, passas a fazer parte como profissional da Universidade de Concórdia por convite escrito.

Também és recipiendária da Bolsa de Estudos do Canada, o maior prémio atribuído a nível Federal para os alunos exemplares. É nessa altura que descobres o amor pela pesquisa e falas connosco que não tinhas interesse de seguir para o doutorado. Ficamos felizes que quizesses ser feliz. É mais tarde que nos momentos difíceis de desemprego que têm vindo a correr, ao serviço da Concórdia tomaste a decisão arrojada de ires trabalhar para uma empresa privada com ramificações neste planeta, pois aceitaram os teus desejos e aonde ainda hoje te mantens.
Deixado o karaté por motivo de incompatibilidade de horas, passaste a dedicar-te à dança social de que te desejamos a melhor das sortes.

Como filha és o sol da nossa casa. Sempre muito socegada, alegre, muito meiguinha, muito curiosa, pronta a ajudar, jamais pediste o que quer que fôsse, além de não gostares que falemos a quem quer que seja, a excelente pessoa que tu és. Era a nós a redobrarmos de cuidados para que não te faltasse o essencial para seres uma mulher realizada na vida. Hoje és mulher já há uns anos, já nada tens a aprender de nós. Pelo contrário, passas sempre que podes no teu passatempo preferido, a cozinha, fazendo excelentes iguarias e doces com que nos adoças a boca. Cada vez que dizes que és feliz, é a maior alegria que jamais poderíamos sentir. Mostra bem essa tua forma de estar na vida pois quando te divertes, não deixas passar uma oportunidade nem fazes nada a metade: também te empenhas a fundo como no resto.

Espero que tenhas revisto um pouco o teu passado, pois ele faz parte da tua vida.
Permito-me uma notinha fora da ordem, referente ao tempo em que ainda eras muito pequenina: quando ias ao colo da tua mãe no trolley em Coimbra e te perguntaram como te chamavas, respondeste: "Joaninha meu amor" e assim, continuarás a ser.
Que repitas este dia por muitos e muitos anos plena de felicidade.
Por hoje, um beijinho de parabéns dos teus pais que te adoram.

Lucinda e Francisco

5 comentários:

Dom Rafael "O Castelão" disse...

Como gostei de ler este vosso texto!
Fico muito contente pelo êxito da vossa filha Joana!
Têem motivos de sobra para se sentirem orgulhosas dela!
E a vossa filha corresponde de igual modo por ter ums pais maravilhosos!
Beijos para a esposa e filha e um grande abraço para ti, meu caro amigo!

celeste maria disse...

Para a "Joaninha Vosso amor", muitos beijinhos de parabéns!
Papá, cheio de razões para estar todo babado...

AAAqui Ici Here e Alem Mar disse...

Rafael,

Obrigado pelas palavras de encorajamento porque a minha filha de manhã antes de ir para o trabalho, passou-me logo um raspanete... amigável, cheio de ternura. Quanto aos pais... foi ela que nos escolheu... É inteligente.
A Joana e a Lucinda retribuem os beijos enviados.
Um abraço,
Chico

JSTS disse...

Da. Celeste Maria,

Obrigada pelos parabéns.

É verdade, meu Pai é babado... mas como muitos filhos e filhas, só o vim a descobrir mais tarde.

O raspanete que lhe passei, pela biografia não autorizada, foi feito com muito amor e carinho. Afinal de contas não posso estragar já a imagem que ele acaba de dar de mim... até parecia mal.

A verdade é que tive muita sorte com os Pais que “escolhi”. Sem eles não seria a mesma.

Beijinhos,

Joana

JSTS disse...

Aos amigos dos meus Pais que por outros meios me enviaram os parabéns, se ainda não receberam resposta, ela em breve chegará.

Um beijinho,

Joana